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Estudo pioneiro avalia prevalência nacional de neofobia alimentar em crianças

27/10/2020
fonte - ANDF
Estudo pioneiro avalia prevalência nacional de neofobia alimentar em crianças

O primeiro estudo no país de avaliação da prevalência nacional de neofobia alimentar voltado para o público infantil está sendo conduzido a partir de Brasília. E uma das pesquisadoras é a nutricionista Priscila Almeida, membro do conselho consultivo da ANDF.

Segundo Priscila, há no país alguns estudos direcionados para adultos e adolescentes, com instrumentos adaptados e traduzidos. No entanto, "este é o primeiro estudo a avaliar a neofobia alimentar em crianças brasileiras com instrumento apropriado".

ENTENDA A NEOFOBIA ALIMENTAR

A resistência em comer novos alimentos, ou seja, aqueles que não são familiares é caracterizada como neofobia alimentar (ROZIN, 1976; SCAGLIONI; SALVIONI; GALIMBERTI, 2008), uma derivação do comportamento alimentar seletivo (COLE et al., 2017). É baseada no princípio da rejeição de um alimento, no que tange às características sensoriais, medo e consequências de comer determinado alimento (STOICA; ALEXE, 2016).

O pico desse comportamento ocorre entre 2 a 3 anos (LAFRAIRE et al., 2016), período de transição para uma dieta com padrão semelhante à adulta, havendo uma tendência a evitar novos alimentos (DOVEY et al., 2008).

A neofobia alimentar pode ser inata, como forma de proteção às substâncias estranhas (ROZIN, 1976), hereditária (COOKE; WARDLE, 2007), aprendida por meio dos pais (PLINER, 1994), ou mesmo uma fase que tende a diminuir com o passar da idade, estabilizando na fase adulta (DOVEY et al., 2008). Indivíduos neofóbicos tendem a consumir uma variedade menor de alimentos (FALCIGLIA et al., 2000).

O ato de comer e diversos sentimentos podem influenciar a neofobia alimentar e a familiarização com o alimento é essencial para que a resposta neofóbica se transforme em aceitação ao alimento. 

As características sensoriais, como a cor, a textura, o tamanho, o odor e o modo de apresentação da preparação ofertada também devem ser levados em consideração. Um alimento deve ser ofertado diversas vezes em momentos diferentes, e com apresentações diferentes (LAFRAIRE et al., 2016). Um consumo insuficiente, e pouca variabilidade de frutas e hortaliças, podem contribuir para uma alimentação pobre em nutrientes, gerando deficiências nutricionais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003). 

A mudança do comportamento alimentar é complexa e envolve diversos fatores. É necessário trabalhar a Educação Alimentar e Nutricional (MAIZ; URDANETA; ALLIROT, 2018), realizar intervenções com técnicas de educação sensorial (NEKITSING; HETHERINGTON; BLUNDELL-BIRTILL, 2018), e focar no resgate de hábitos alimentares regionais, a valorização dos alimentos in natura, advindos da produção local, e, com alto valor nutritivo (BRASIL, 2014).

Envolver a criança nas atividades relacionadas ao alimento contribuem para melhorar o comportamento alimentar. Atividades práticas como trabalhar as habilidades culinárias e a jardinagem põem diminuir a neofobia alimentar (ALLIROT et al., 2016; ALLIROT; MAIZ; URDANETA, 2018; DECOSTA et al., 2017). Atividades com intervenções focadas em educação alimentar e nutricional tendem a ser efetivas quando bem conduzidas (SILVEIRA et al., 2011).

Priscila destaca que no Brasil o estudo está sendo conduzido na Universidade de Brasília - UnB e está aberto a participação.
Basta clicar aqui   


Referências:
ALLIROT, X. et al. Involving children in cooking activities: A potential strategy for directing food choices toward novel foods containing vegetables. Appetite, 2016. v. 103, p. 275–285. Disponível em: .
ALLIROT, X.; MAIZ, E.; URDANETA, E. Shopping for food with children: A strategy for directing their choices toward novel foods containing vegetables. Appetite, 2018. v. 120, p. 287–296. Disponível em: .
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpressão. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
COLE, N. C. et al. Correlates of picky eating and food neophobia in young children: A
systematic review and meta-analysis. Nutrition Reviews, 2017. v. 75, n. 7, p. 516–532.
COOKE, L. J.; WARDLE, J. Genetic and environmental influences on children’ s food.
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DECOSTA, P. et al. Changing children’s eating behaviour - A review of experimental research. Appetite, 2017. v. 113, p. 327–357. Disponível em: .
DOVEY, T. M. et al. Food neophobia and “picky/fussy” eating in children: A review.
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FALCIGLIA, G. A. et al. Food neophobia in childhood affects dietary variety. Journal
of the American Dietetic Association, 1 dez. 2000. v. 100, n. 12, p. 1474–1481.
LAFRAIRE, J. et al. Food rejections in children: Cognitive and social/environmental
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96, p. 347–357.
MAIZ, E.; URDANETA, E.; ALLIROT, X. La importancia de involucrar a niños y niñas
en la preparación de las comidas - Dialnet. Nutrición hospitalaria, abr. 2018. v. 35, n.
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NEKITSING, C.; HETHERINGTON, M. M.; BLUNDELL-BIRTILL, P. Developing
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PLINER, P. Development of measures of food neophobia in children. Appetite, 1994. v.
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ROZIN, P. The Selection of Foods by Rats, Humans, and Other Animals. Advances in
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SCAGLIONI, S. et al. Factors influencing children’s eating behaviours. Nutrients, 2018.
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WORLD HEALTH ORGANIZATION. Report of the Mega Country Health
Promotion Network Meeting on Diet, Physical Activity and Tobacco convened in
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